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Blondie em dose dupla:
panela velha, comida boa

Rodrigo Fernandes

Há bandas que são reconhecidas principalmente por serem fiéis a um estilo. Stones, Yes, Floyd, The Cure são algumas delas, grandes bandas - indiscutível - mas sempre soubemos o que esperar delas. Com o Blondie a coisa nunca foi assim. Formada em 74 por quatro marmanjos e a ex-garçonete e coelhinha da Playboy Debbie Harry, a banda atravessaria a década de setenta dropando todas as ondas, e se dando bem em todas. No principio foi punk de carteirinha dividindo o palco do CBGB`s (o boteco nova-iorquino mais famoso do universo) com Ramones, Television e Talkin Heads. Esse era o Blondie punk, nervoso, econômico, sexual. Seu grande hit dessa época; Sex Offender teve de mudar de nome para X-Offender, se quisesse ser tocado nas rádios londrinas. Com a validade do punk vencida o grupo começou a suavizar a porradaria, afinal havia uma menina na banda...

Influenciados principalmente por David Bowie e Iggy Pop o Blondie agora era new wave com todas as suas cores, teclados programáveis e biquinhos cheios de gloss (Harry, a loura falsa, era gostosa mesmo!) e a mutação acabaria descambando para a Disco Music com músicas produzidas pelo papa das pistas porpurinadas Giorgio Moroder e tudo. Os discos Parallel Lines (78) e Eat to the Beat (de79) vendem cachoeiras e são o auge da fase pop do conjunto, a faixa Heart of Glass, por exemplo, acabaria sendo trilha sonora da novela das oito aqui no Brasil.

Com a chegada dos 80`s a banda radicalizaria ainda mais (os fãs lá, curtindo tudo) e lançaria um álbum sob o signo do ecletismo total e desvairado. AutoAmerican gravado no primeiro ano da nova década é um disco absolutamente inclassificável, com elementos de rock, punk, jazz - Debbie se torna aí a primeira mulher da história a cantar um rap - e reggae. Um grande álbum, mas que não impediu do grupo se desfazer dois anos depois, logo após o lançamento do fraco The Hunter. Disco com a capa mais broxante da história.

Em 98, em meio a um forte revival setentista o Blondie volta a dar as caras com o álbum No Exit. De lá para cá a banda vem lançando discos medianos e bissextos, mas o que conta mesmo são os louros do passado, os dois últimos lançamentos da banda só confirmam a força das velharias; Blondie Live by Request que acaba de sair do forno em formato CD e DVD flagra o conjunto em um show gravado para tv onde os fãs podiam votar em suas músicas favoritas. Apesar da galera estar beirando os 60, e de Debborah Harry estar a cara daquela sua tia encalhada a banda ainda faz uma releitura razoável de seus hits, vale pela nostalgia. Mas o bicho pega mesmo é com Blondie Greatest Hits Sight e Sound. Produzida pela EMI com a participação dos próprios membros do conjunto, o disco foge totalmente do esquema usual das coletâneas.

Além dos clássicos Dreaming, Maria, Heart of Glass, Atomic, Call Me... o disco trás algumas boas surpresas; como as versões remix para In the Flesh e Good Boy e a faixa bônus Rapture Rider's, que nada mais é que uma curiosa mistura de Rapture, da banda e End Rider's canção do The Doors. O disquinho - até o momento sem versão nacional - ainda trás um dvd de lambuja. Ac#1B74A9ite, vale o investimento. Se você não agüenta mais a mpb-siririca de Marisas Monte e Vanessas da Matta, e acha um saco essas band girls onde meninas poseur ficam se esgoelando ao microfone, então apele para o Blondie. Puro Viagra sonoro. Eu usaria.


Publicado originalmente no
International Magazine Ed. 123
(Julho, 2006)


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