Artigos
Marcelo Fróes e o resgate da Jovem Guarda


Em entrevista ao Let's Rock, o produtor e pesquisador carioca Marcelo Fróes fala sobre as reedições de discos de Jovem Guarda que vem fazendo há mais de 10 anos - e que tem novo capítulo agora em março de 2008, quando a Warner finalmente reedita nada menos que 25 LPs originais de Demetrius, Os Vip's, Wilson Miranda, Joelma, Giane, Martinha, Rosemary, Vanusa, etc.

Por que uma coleção de reedições de Jovem Guarda em pleno ano do cinqüentenário da Bossa Nova?
Pois é, parece provocação, né? (risos) A verdade é que este projeto foi iniciado em 2005, para os 40 anos da Jovem Guarda, mas por algumas razões acabou ficando para trás. Hibernou por todo ano de 2006 e ano passado voltei a cutucá-lo dentro da Warner, que é a gravadora que detém os catálogos da Continental e da Chantecler. O presidente atual, como uma pessoa que sabe o que realmente vende, diante da constatação de que os discos originais dos artistas de Jovem Guarda ainda eram inéditos em CD, determinou que o projeto fosse adiante.

E como foi o processo? Muita burocracia? Títulos impossíveis de relançar? Masters desaparecidas ou deterioradas?
Na verdade, correu muito bem e bem rapidamente também. Quando há interesse das partes, a coisa flui de uma forma maravilhosa. Infelizmente não deu pra relançar os discos originais dos Jet Black's, dos Clevers e dos Incríveis - por conta de questões legais que não cabe aqui comentar. Mas é muito triste que esses discos não possam ser reeditados tão cedo. De qualquer forma, quanto às matrizes, elas existem sim. Eu já conhecia o arquivo e o acervo das velhas Continental e Chantecler. E tivemos a chance de remasterizar tudo com Ricardo Garcia, dono de um dos principais estúdios de masterização do país. Foi ele quem fez as caixas do Roberto e muita coisa boa, e é um dos mais requisitados para masterizar os discos novos que os artistas vão produzindo a todo instante. Posso garantir que nunca discos de Jovem Guarda estiveram em tão boas mãos, o som realmente ficou muito bom... ainda que em mono, pois nos anos 60 essas gravadoras mixavam em mono somente e não há multi-canal que permita remixar - como é o caso dos discos da CBS e da Polydor/Philips, diga-se. Chamei pra fazer as adaptações gráficas a mesma pessoa com quem fiz a coleção dos 40 anos na EMI, pra garantir um resultado bacana. Enfim, estou muito satisfeito com este projeto.


O que você pode destacar dentre os 25 títulos?

Bem, a Chantecler e a Continental nos anos 60, ao lado da RCA, eram as gravadoras da ala paulistana. Então fico feliz de finalmente ver discos originais de Vip's, Demetrius, Marcos Roberto, Joelma, Giane, Wilson Miranda etc sendo finalmente recolocados no mercado. Como a coleção é de "Ídolos da Jovem Guarda" e não necessariamente uma coleção xiita de "Jovem Guarda", também aproveitei para reeditar discos dos anos 70 de Rosemary, Vanusa, Martinha etc. Não deu pra reeditar Meire Pavão e Ary Sanchez agora, por exemplo, mas há material suficiente para uma segunda fornada caso o resultado desta primeira anime o pessoal da gravadora. Portanto, gente, é hora de comprar e mostrar que essas coisas realmente vendem.

Você acabou se tornando o principal responsável pela reedição de discos de Jovem Guarda, como isso aconteceu?
Bom, não é por acaso, né? Mas, de qualquer forma, se os outros produtores de reedições não fossem tão preconceituosos muita coisa já teria saído em coleções variadas produzidas nos últimos 10 anos. Meu lance começou quase por acaso, pois depois de lançar um livro sobre os Beatles em 1992 eu resolvi que o iê iê iê nacional também merecia sua história contada. Resolvi que, sendo um movimento tão importante para a indústria, que levantar as discografias seria fundamental para montar um esqueleto da história. Comecei a freqüentar as gravadoras, mas ao mesmo tempo fui me desiludindo com a idéia de fazer livro. Em 1994 encontrei no arquivo da Sony dois tapes com material inédito do Leno e, ao procurá-lo, constatamos que eram as matrizes não-mixadas do lendário LP "Johnny McCartney", gravado com produção de Raul Seixas na CBS entre 1970 e 1971 e arquivado desde então. Na época haviam dito a ele que as fitas seriam apagadas, por conta do trabalho ter sido censurado pela diretoria da gravadora. Foi uma grande surpresa. Conseguimos tirar os tapes de lá e eu consegui que rodássemos as fitas no estúdio de jingles de um amigo no centro do Rio. As fitas eram de 1 polegada, em 8 canais, e já naquela época era difícil encontrar um equipamento desses. A máquina de 1 polegada do estúdio do Orley era de 16 canais, então foi feita uma mixagem de monitor totalmente aos trancos e barrancos, para mera audição. Mas foi o suficiente para verificar que as fitas estavam ótimas e que o material era maravilhoso. Através de um outro amigo, o Eduardo, descobri que uma loja na Barra tinha uma máquina de 8 canais à venda. Ele passou uma conversa no cara e pudemos fazer a transcrição das 2 fitas lá na loja. Ele levou um aparelho de Adat e fizemos lá na hora, num início de noite. Nos dias seguintes, Leno fez algumas mixagens e adições no estúdio do Eduardo. Depois migrou para um estúdio e lá terminou os trabalhos, com adição de guitarras e regravações de voz etc. O disco ficou bem legal, só não gosto da masterização - feita burocraticamente na fábrica, numa época em que ainda não se caprichava tanto nisso. O disco serviu pra inaugurar a Natal Records do Leno em 1995, quando ele aproveitou para montar uma coletânea de Leno & Lílian com faixas igualmente remixadas em estéreo, já que eu também havia localizado as fitas da dupla. Enfim, acho que ali começou tudo.

E aí você começou a montar coleções?
Aos poucos, né. Primeiramente fiz duas coletâneas para a RGE em 1996, "Beatlemania em Brasa" e "Baú do Rei". A primeira trazia versões de músicas dos Beatles por artistas daquela gravadora, enquanto que a segunda reunia pérolas compostas por Roberto Carlos para amigos gravarem. Não estouraram, pouca gente viu, mas foram legais de se fazer. São belas raridades. No ano seguinte, eu fiz na Sony a trilogia "Os Anos da Beatlemania" - com três CDs de versões de músicas dos Beatles por artistas como Renato e seus Blue Caps, Leno & Lílian, etc.

Não foi dessa época uma outra trilogia, com músicas de Raul Seixas?
Sim, ia sair na seqüência. "Deixa Eu Cantar", tradução de "Let Me Sing", era o título da coleção - que reuniria pela primeiríssima vez todas aquelas canções que Raul compôs para os artistas da CBS naquela fase em que foi produtor empregado lá, entre 1968 e 1972. Mas infelizmente alguém soube do projeto e começou a ameaçar a gravadora de processo, sabe-se lá alegando o que, e a opção foi cancelar o lançamento. Só que os discos já estavam prensados e tiveram que ser quebrados, o que foi uma pena. Felizmente as minhas cópias já estavam comigo, então acho que são as únicas remanescentes dessa história triste. Um dia ainda reedito isso, essa história do Raul na CBS ainda é uma lacuna em sua biografia.

E quando afinal você fez a primeira coleção de reedições?
Justamente no ano seguinte a tudo isso. Eu vinha trabalhando na obra do Gilberto Gil desde 1996, as a primeira parte da discografia só chegaria ao mercado em 1999. No ano de 1998 acabou saindo o primeiro grande projeto, que foi a reedição de 20 LPs originais de artistas da CBS. A Sony topou reeditar discos de Renato e seus Blue Caps, Wanderléa, Jerry Adriani, Leno & Lílian, Leno e Ed Wilson, então eu aproveitei e coloquei faixas bônus também. O lançamento aconteceu com uma festa num salão do shopping Rio Sul em setembro de 1998, com show de Renato e seus Blue Caps e canjas de Wanderléa, Jerry, Leno, Ed Wilson e Getúlio Côrtes. Foi uma noite memorável, os discos venderam bem e meses depois a Sony relançou mais alguns títulos. E, em 2000, por conta dos 35 anos da Jovem Guarda, uma nova coleção me foi encomendada e dessa vez seriam 25 CDs.. duplos! Aí foi uma alegria, pois relançamos tudo de Renato e seus Blue Caps (anos 60), Leno & Lílian, Wanderléa, Leno, Jerry Adriani, Robert Livi, Sérgio Murillo, Pedro Paulo, etc. Foi uma festa mesmo, os colecionadores piraram.

E o seu livro?
Pois é, ele hibernou por um tempo e, em 1998, Tarik de Souza me procurou sugerindo que eu o completasse para uma coleção que estava dirigindo para a Editora 34. As pessoas sabiam do projeto, mas eu tinha dificuldade de concluir a pesquisa. A editora conseguiu um patrocínio dos grupo Pão de Açúcar e eu pude trabalhar entre 98 e 99 nisso. Erasmo Carlos fez o prefácio e o livro saiu finalmente no final de 2000, com uma festa no jardim do Museu da República no Rio, com show de Renato e seus Blue Caps e canja de Erasmo, Jerry Adriani, Ed Wilson e Getúlio Côrtes. Foi uma festa muito legal, inclusive pela primeira vez em muitos anos Paulo César Barros tocou em sua ex-banda. Eu deveria ter mandado filmar essa festa, restaram apenas fotos.

E o Renato é quem foi divulgar no programa do Jô. Como foi isso?
O livro foi lançado no dia 6 de novembro e a editora estava tentando marcar uma ida ao programa do Jô. Só que eu viajaria para Londres para pegar um depoimento em vídeo de George Martin, para um especial de TV do Multishow sobre a música dos Beatles - "Submarino Verde e Amarelo 2", do qual fui co-produtor em 2000. A data marcada foi quarta-feira 15 de novembro e eu pra lá fui, só retornando no domingo 19. Quando a Globo deu sinal verde, eu não fui encontrado, e a editora sugeriu que Renato e seus Blue Caps fossem no lugar. Eles toparam e foram lá com o livro e com uns violões.

Você depois disso fez mais coleções em que gravadoras?
Bem, em termos de Jovem Guarda o início dos anos 2000 foram marcados pelo trabalho na caixa do Erasmo Carlos - com o material dos anos 70. Eu vinha fazendo as caixas de Gilberto Gil, Nara Leão, Vinicius de Moraes, Zé Ramalho, Fagner, Elza Soares etc, dentre outros projetos de coleções - que também incluíram coleções de Ivan Lins, Ângela Ro Ro, Zizi Possi, Kleiton & Kledir e Mutantes. Fiz a coleção inicial dos Fevers na EMI em 2003, com discos dos anos 60 e 70, cheios de faixas bônus, e eu soube que os 9 primeiros CDs daquela coleção venderam 35 mil cópias só num único trimestre de vendas. Dois anos depois a coleção dos Fevers na EMI seria completada com mais 9 volumes. Só em 2004 é que a Jovem Guarda voltou a ser falada, quando comecei a falar na Sony sobre projetos de reedições para os 40 anos em 2005. Primeiramente resolvemos fazer uma caixa com tudo do Renato e seus Blue Caps, o que foi feito ainda em 2004, para lançamento no início de 2005. Ou seja, sairiam não só os discos dos anos 60 mas também a discografia dos anos 70... até o último pela companhia, de 1981... A caixa ficou linda e esgotou em pouco tempo, tenho muito orgulho daquele projeto, que mostrou que uma banda com tanta estrada também merecia um box bem transado. Infelizmente não pude incluir faixas bônus e raridades, por conta de questões legais, mas a caixa ficou linda.

Mas em 2004 você também começou aquele mega-projeto das caixas do Roberto na Sony.
Sim, eles me chamaram. Na verdade, foi um desdobramento natural dos projetos que eu vinha fazendo. Quando rolou a primeira coleção de Jovem Guarda, eles quiseram incluir um ou dois títulos do Roberto e eu fiz a traquinagem de incluir o disco "Canta a La Juventud", que já tivera prensagem brasileira nos anos 60. Surpreendentemente o disco foi aprovado e pudemos relançar, então depois eu por diversas vezes comentei que a discografia internacional do Roberto precisava sair decentemente em CD... e que a gravadora nem tinha cópia das fitas no Brasil etc. Quando falaram em remasterizar tudo em 2004 e me pediram que apresentasse um projeto, eu sugeri a divisão em boxes por décadas e que se lançasse depois os boxes da discografia internacional. Foi o que fizemos, num trabalho que começou em 2004 e ainda não terminou. Os boxes em espanhol saíram em 2007, mas restam as raridades e também as coisas em italiano, inglês e francês. Acredito que ainda saiam.

Você também fez a do Erasmo em 2005.
Sim, eu havia feito aquela com o material pós-Jovem Guarda na Universal - que cobre o período dos anos 70 e 80. Foi algo muito legal, porque havia material inédito, muitas raridades e afinal é uma fase riquíssima do Tremendão. Mas eu sempre achei que o material dos anos 60, lançado originalmente pela RGE, deveria ser relançado decentemente. Só que reedições não eram o forte da Som Livre, detentora daquele catálogo, então em 2005 eu sugeri à Sony que licenciasse os discos da Som Livre. É algo incomum de rolar, mas rolou até porque o escritório do Erasmo deu total apoio. Reeditamos então os discos com faixas bônus de compactos, coisas muito raras inclusive. Fizemos um lançamento especial na Modern Sound, com pocket show super roqueiro do Erasmo.

2005 acabou sendo mais um ano de boxes do que de coleções, você também fez o de Wanderléa.
O mercado estava empolgado com os boxes, mas não foi bem por isso. A idéia para 2005 era uma coleção de reedições na Sony, usando discos da Sony e também discos da velha RCA, já que a BMG e a Sony haviam acabado de ser unificadas. Eu montei o projeto, ainda que sem discos do Renato (já relançados) e também sem discos de Lafayette, Leno & Lílian e Leno solo - por questões legais. Coloquei discos do Jerry Adriani e da Wanderléa e caí com tudo em cima do catálogo da RCA, puxando discos de Sérgio Murillo, Rosemary, Os Incríveis, Meire Pavão, José Ricardo, Waldirene, George Freedman, Ronnie Cord, Beat Boys etc. Só que houve um problema, as gravadoras ainda estavam se unificando, houve um atraso na parte burocrática e aí, para não perder os 40 anos em 2005, a opção foi segurar esse material da RCA e fazer boxes com as discografias de Jerry Adriani e de Wanderléa. A caixinha da Wanderléa saiu meio em segredo, mas a do Jerry acabou saindo com os discos em separado porque na correria três dos discos não puderam ser fabricados. O box foi descartado e uma coleção com 13 dos 16 discos foi lançada, inclusive com pocket show do Jerry em lojas do Rio e de São Paulo.


Ainda houve a coleção da EMI, né?
Pois é, foi feita no final de 2005 e foi uma alegria poder reeditar discos de Celly Campello, Tony Campello, Golden Boys, Trio Esperança, Evinha, Eduardo Araújo, Silvinha, Wanderley Cardoso, The Jordans etc. Ainda há muita coisa lá por sair, espero que chegue a hora.

Por que a Universal não reedita os discos de Jovem Guarda?
Pois é, justo eles que venderam tantas caixas do projeto dos 30 anos em 1995 e sabem o quanto é poderoso esse repertório. Bem, eu já tentei diversas vezes convencê-los a reeditar os discos do Márcio Greyck, dos Brazilian Bitles e também curiosidades de Golden Boys, Fevers, Eduardo Araújo, Jerry Adriani, Vanusa e Wanderléa, além do próprio Ronnie Von - que teve alguns títulos finalmente reeditados em 2007. Mas infelizmente ainda não chegou a hora.

Ainda podemos esperar novidades em 2008?
A qualquer instante. Estou sempre interessado em reeditar discos, tenho imenso carinho pela música dos anos 60. Pra mim, ir reeditando através de projetos com as gravadoras é muito legal. Aos poucos, monta-se o quebra-cabeças. Por exemplo, Sérgio Murilo. Já reeditamos os três primeiros (da CBS) em 2000... e agora saem os dois da Continental. Ficam faltando os dois da RCA, é questão de tempo. Estou muito feliz de poder relançar os três álbuns dos Vip's dos anos 60, além de quatro do Demetrius de uma só vez. Como dois já haviam sido relançados num 2 em 1 da Bruno Discos nos anos 90, com isso agora temos todos os LPs dele reeditados em CD. Ainda quero ver os discos dos Incríveis, de Martinha, de Vanusa e de Antonio Marcos relançados, por exemplo, além de Eduardo e Silvinha, The Jordans, Wanderley Cardoso etc. Há muita coisa. É preciso dar tempo ao mercado, então eu vou tocando outras coisas também, é claro. Gosto muito de Jovem Guarda, mas não fico ouvindo isso o dia inteiro. Gosto das pessoas da Jovem Guarda, isso é importante frisar, são em sua maioria artistas que têm respeito pelo público e reconhecimento pelo carinho dos fãs. Isso é raro. Mas para 2008 estou trabalhando num coleção de reedições de Bossa Nova, que também gosto muito. Estou produzindo também um projeto comemorativo dos 40 anos do "Álbum Branco" dos Beatles e dele aliás participam Márcio Greyck, Os Canibais e Sylvinha Araújo, dentre muita gente boa - como Zé Ramalho, Biquíni Cavadão, Pato Fu, Os Britos, Lobão, Flávio Venturini, Paulinho Moska etc. Talvez o Jerry participe, mas atravessou um momento muito difícil nos últimos meses e atualmente está mergulhado na finalização de seu DVD - do qual aliás participei dirigindo um mini-documentário sobre sua carreira para os extras. Deve sair para o Dia das Mães.




Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, Love, Led Zeppelin, Queen, Monkees, Los hermanos, Mutantes, Syd Barrett, Roger Waters, John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr, George Harrison, Mark, Dire Straits, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Iron Maiden, Roberto Carlos, Jovem Guarda, Erasmo Carlos, Seeds, Standels, Blues Magoos, Beach Boys, Doors, Jim Morrison, Andy Warhol, Velvet Underground, Lou Reed, Nico, mc5, Mamas & Papas, Black Sabbath, Oasis, Belle and Sebastian, Legião Urbana, Renato Russo, Capital Inicial, Replicantes, Punk, Heavy Metal, Rock, Fugazi, Inocentes, Garotos Podres, Ratos de Porão, Sepultura, Soulfly, Aerosmith, Beck, Jeff Beck, David Bowie, Iggy Pop, The Stooges, New York Dolls, Yellowcard, Frank Zappa, Secos & Molhados