Artigos
Bate papo com O Salto

Por Elias Nogueira

Com o fim do LS Jack, devido ao afastamento do cantor Marcus Menna, os integrantes remanescentes da banda ficaram se redescobrindo por mais de doze meses e eventualmente formaram O Salto. Isso mesmo, a nova banda formada por Vitor Queiroz (baixo) Sérgio Morel (guitarra), Sérgio Ferreira (guitarra), Bicudo (bateria) e Fabão (voz) deixa o pop no passado e, com nova voz e novo nome, lança seu primeiro disco - totalmente voltado para o rock. Em "A noite é dos que não dormem", a banda abriu um leque de parceiros em composições que reúne seus integrantes a nomes como Bernardo Vilhena e Alvin L. Em entrevista ao IM, os rapazes falam de passado, presente e futuro e naturalmente do que esperam para O Salto.

Como surgiu à idéia de chamar o Fabão para fazer parte do grupo e formar outra banda?
Bicudo - Na realidade, depois de tanto tempo parado, começou a dar vontade de tocar. Dá aquele comichão nas mãos. Foram sete meses parados. Chegou um momento que tínhamos que tocar! Fazer um som! Começamos a conversar e chegamos à conclusão de que o certo era ter uma pessoa de frente no palco.

Vocês já conheciam o Fabão?
Bicudo - Sim, nos conhecemos desde o tempo que ele fazia parte da Bruxa. O Primeiro contato foi quando saiu um disco pela CID de artistas ainda em começo de carreira, e o Fabão já estava lá. Ele era o vocalista da Bruxa. Nessa época o nosso grupo era o 'Nova Essência', do qual faziam parte eu, Vitor Queiroz e Sergio Ferreira. Lembro de um show em Teresópolis onde vimos a Bruxa e foi ali que ele nos chamou atenção, nos deixando impressionados. A partir desse momento, nos encontramos muitas vezes, isso antes do LS Jack. Tocar é uma coisa orgânica, e o Vitor fez uma convocação e nos reunimos pra fazer um som. No momento em que começou a rolar com o Fabão na voz, foi tudo fluindo de uma maneira espontânea.

Sergio Ferreira - Antes mesmo de o Fabão entrar, começamos a tocar cover do Rush! Era uma maneira de nos mantermos em atividade. Estávamos meio que sem rumo.

Fabão - Teve uma coisa que contribui bastante. O segundo disco do LS Jack teve duas composições minhas. Quando o Vitor me ligou, eu já estava sabendo de toda história. Já estava muito familiarizado até com o repertório. Foi tudo muito rápido, saí do estúdio muito empolgado.

Quando foi que deu o estalo de "vamos chamar o Fabão!" ?
Bicudo - Nós o admiramos há muito tempo. Já sabíamos que ele era um cara bacana e bom de lidar. Na verdade o Fabão tinha mais ligação com o Marcus (Menna).

Fabão - Eu moro na rua do Mega (Estúdio), o Marquinho me ligava chamando para ir ao estúdio.

Como foi entrar em estúdio sem o Marcus Menna?
Vitor Queiroz - Naquele momento já estávamos abertos para novas possibilidades. Emocionalmente estávamos começando a buscar algo novo. Como acompanhamos o processo inteiro do Marcus, vimos que ele levaria muito mais tempo do que as pessoas imaginavam pra se recuperar. Acho que isso é uma questão muito emocional. Quando olho pro Fabão, acho muito legal ter ele conosco. O grupo já vinha trabalhando esse lado emocional.

Sérgio Morel - O mérito foi o tempo que tivemos para nos organizarmos. Sempre analisamos todos os lados, até o emocional. Estávamos e estamos muitos seguros do que estamos fazendo.

Fabão - olhando o passado, foi um caldeirão de emoções. Passamos por várias fases. O grupo é outro, o vocalista é outro. E até a banda se acostumar, teve muitas emoções.

Bicudo - O Fabão chegou de peito aberto, já faz parte da família.

O LS Jack era uma banda pop, já O Salto é um grupo mais rock 'n roll. Até que ponto um vocalista pode mudar a concepção de um conjunto?
Bicudo - Acho que foi uma coisa muito natural. Particularmente acho que o LS Jack não tem nada haver com O Salto. Esse lance de rock, no último disco do LS Jack já se percebe uma pegada mais rock, coisa que sempre esbarrávamos com o Marcus. Com a entrada do Fabão, tudo aconteceu naturalmente.

Vitor - Não existiu um movimento tipo "vamos fazer rock!" Anteriormente não tínhamos a intenção de fazer algo virado para o mercado do disco. Olhando pra trás eu vejo que tudo isso é devido ao amadurecimento que conta muito. Quando você caminha e bate cabeça, com o sofrimento você aprende. Hoje somos pessoas diferentes como qualquer um tenha passado por um problema desse. Amadurecemos emocionalmente e artisticamente. Tivemos de uma certa forma, o privilégio de poder se confinar, criar, compor, arranjar, pré-produzir o disco inteiro dentro de um estúdio. Quando fomos pro Mega pra registrar, o disco já estava completamente pronto. Tanto é que a produção é nossa. Acho que assinatura do Fabão pesa muito também! Quando se diz que o som esta mais pesado e roqueiro. Outra coisa: a nossa raiz é o rock!

Fale um pouco do disco novo.
Vitor - O disco também veio de uma forma muito espontânea. Outro fator bom com a entrada do Fabão foi à possibilidade de aumentar o leque de opções, no que diz na hora da criação, de um trazer uma letra ou o Morel trazer uma base. Nunca tivemos o costume de ir pro estúdio, pegar uma letra separada de uma base e tentar unir pra fazer uma música. O Fabão contribuiu com isso e nos fez sentir que temos muitas coisas a produzir futuramente.

Fabão - Eu sou melodista, mesmo tendo participado em letras no disco anterior do LS Jack. Nesse CD "A noite é dos que não dormem" não há nenhuma letra minha.

Vitor - Esse tempo foi bom porque podemos estabelecer de fato as parcerias. Bernardo Vilhena é um grande colaborador desse disco e tem três músicas em parcerias. Tem o Alvim L, que também gostamos muito. O fato de ter tido tempo para se trabalhar conseguimos nos concentrar as nossas atenções no fator muito importante em disco, que é o repertório. Conseguimos pescar uma música do Moska, que o Fabão já havia gravado com a Cássia Eller em um filme. Foi um processo de composição que até então nós não tínhamos experimentado e posso afirmar que gostamos muito. Gostamos muito da maneira que o Fabão coloca nas melodias. O disco está bem equilibrado.

E as comparações com o LS Jack?
Ferreira - Comparações são inevitáveis. Mas não vejo nada parecido entre o LS Jack e O Salto. Acho que é somente uma referência.

Vitor - Acho que quando se tem aquele privilégio que falei antes, isso traz confiança e estamos satisfeitos com o que fazemos hoje. Não tenho medo das comparações, elas vão sempre existir porque tem essa relação do LS Jack. Existem tantas outras bandas que já fizeram o mesmo. Existe uma vida própria nisso e o que queremos agora é trabalhar e cair na estrada.


Publicado originalmente no
International Magazine Ed. 124
(Agosto, 2006)


Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, Love, Led Zeppelin, Queen, Monkees, Los hermanos, Mutantes, Syd Barrett, Roger Waters, John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr, George Harrison, Mark, Dire Straits, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Iron Maiden, Roberto Carlos, Jovem Guarda, Erasmo Carlos, Seeds, Standels, Blues Magoos, Beach Boys, Doors, Jim Morrison, Andy Warhol, Velvet Underground, Lou Reed, Nico, mc5, Mamas & Papas, Black Sabbath, Oasis, Belle and Sebastian, Legião Urbana, Renato Russo, Capital Inicial, Replicantes, Punk, Heavy Metal, Rock, Fugazi, Inocentes, Garotos Podres, Ratos de Porão, Sepultura, Soulfly, Aerosmith, Beck, Jeff Beck, David Bowie, Iggy Pop, The Stooges, New York Dolls, Yellowcard, Frank Zappa, Secos & Molhados