Lançamentos
Bad Company
"Live in Albuquerque 1976"

Jorge Albuquerque

Os anos 70 foram prolíficos em super grupos. Um dos mais interessantes foi o hoje um tanto esquecido Bad Company, provavelmente uma das melhores e mais energéticas bandas de rock da época, montada por jovens veteranos da efervescente cena pop britânica - o fenomenal Paul Rodgers, cantor do Free, o versátil instrumentista e compositor Mick Ralphs, guitarrista do Mott the Hoople, o hábil e experimental Boz Burrell, baixista do King Crimson, e o bonitão e mão-de-ferro Simon Kirke, baterista também do Free. Juntos, os quatro sacudiram os alicerces do rock pesado com a mistura de blues, jazz e progressivo, embebido em heavy metal para as massas, que caiu direto no paladar do público estadunidense. Em 1973 eles foram os primeiros a assinar com a recém-criada gravadora Swan Song do Led Zeppelin.

No ano seguinte o conjunto estava no topo das paradas dos Estados Unidos com o álbum de estréia, "Bad Company", puxado pelo hit "Can't get enough (of your love)". "Straight shooter" de 1975 foi outro grande sucesso, alavancado pela fama de "Feel like makin' love" e a gigantesca turnê promocional. A essa altura a banda estava nos cascos e entrou em estúdio para o ambicioso "Run with the pack" de 76, mais um álbum milionário para a conta. Mas, como verdadeiras super estrelas do rock, numa época em que esse adjetivo era muito perigoso para saúde e as finanças, brigas internas começaram a minar a unidade e a qualidade do material de canções originais, resultando no indeciso "Burnin' sky", trabalho de 1977 que ainda vendeu bem.

O clima esquentou geral nas gravações de "Desolation angels", disco com cordas, sopros, sintetizadores e etc e tal, nada haver com o som muscular e macho do conjunto. A banda foi parar no vinagre por três anos, até o lançamento de "Rough diamonds", mal recebido pela crítica, sepultando a primeira e clássica encarnação do grupo. O Bad Company voltaria a atividade em 1986 com Ralphs e Kirke, durando até 1995 com um som meia-sola. Em 1998, Rodgers, Ralphs, Kirke e Burrell ensaiaram uma reunião melancólica que não deu em nada. Mas o conjunto é parte da história do rock'n'roll e na verdade sempre deveu um disco ao vivo do seu período áureo nos 70. Era praticamente a única banda sem o registro do seu período de maior fama & glória. Era. Por que finalmente Ralphs abriu o cofre do seu arquivo particular e liberou uma preciosa gravação da banda em 1976, durante a tour promocional de "Run with the pack", para lançar o aguardado "Live in Albuquerque 1976".

Para uma banda que viveu a época dos shows de rock em grandes estádios e arenas, já era curioso o Bad Company nunca ter lançado mão de um disco ao vivo durante aquele período, entendido como obrigatório, quanto mais agora que o grupo está aposentado com Paul Rodgers caindo na cilada do equívoco de primeira em substituir Freddie Mecurie no Queen. Graças a Ralphs, que costumava gravar os shows da banda, agora exatos trinta anos depois, os fãs ganham de presente "Live in Albuquerque 1976", capturado na majestosa e longa turnê por 52 cidades dos Estados Unidos. O show na famosa cidade do estado do Texas teve a sorte de receber o conjunto em um dos seus melhores momentos, em grande forma, detonando um repertório coroado de hits como "Can't get enough", "Feel like makin' love", "Young blood", "Good lovin' gone bad", "Rock steady", "Simple man", "Honey child", "Shooting star", "Ready for love", "Run with the pack" e "Bad Company", destaques entre as 16 faixas do CD duplo.

A qualidade sonora é excelente e transmite com sucesso toda a energia no palco que deu reconhecimento ao quarteto. Os riffs da guitarra de Ralphs, que usava as gravações dos concertos para aperfeiçoar o som do conjunto, a voz bluesy e poderosa de Rodgers, a precisão do baixo discreto de Burrell e o trovão da bateria direta e sem firula de Kirke, levam tanto ao delírio a platéia de três décadas atrás, como ainda garatem a mesma excitação de antes com sua nova audição. "Live in Albuquerque 1976", que ainda não tem previsão de lançamento no Brasil, é um fiel testemunho do legado do Bad Company para o rock e a música pop, uma inesquecível boa companhia para os saudosos e uma bússola para a molecada que ainda teima em fazer boa música, e faz o rock viver.


Publicado originalmente no
International Magazine Ed. 125
(Setembro, 2006)


Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, Love, Led Zeppelin, Queen, Monkees, Los hermanos, Mutantes, Syd Barrett, Roger Waters, John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr, George Harrison, Mark, Dire Straits, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Iron Maiden, Roberto Carlos, Jovem Guarda, Erasmo Carlos, Seeds, Standels, Blues Magoos, Beach Boys, Doors, Jim Morrison, Andy Warhol, Velvet Underground, Lou Reed, Nico, mc5, Mamas & Papas, Black Sabbath, Oasis, Belle and Sebastian, Legião Urbana, Renato Russo, Capital Inicial, Replicantes, Punk, Heavy Metal, Rock, Fugazi, Inocentes, Garotos Podres, Ratos de Porão, Sepultura, Soulfly, Aerosmith, Beck, Jeff Beck, David Bowie, Iggy Pop, The Stooges, New York Dolls, Yellowcard, Frank Zappa, Secos & Molhados