Camille
"Le Fil"
Com poucos artistas saídos de seu berço, salvo exceções como o grupo eletrônico Air e o cult 70's Serge Gainsbourg, a França raramente revela um grande nome para a música mundial. No entanto, é na voz da jovem cantora Camille, que aquele país deposita suas atuais esperanças para esse feito.
A menina, ou melhor, a linda mulher de 27 anos, surgiu no fantástico grupo Nouvelle Vague, que desembarcou por aqui no ano passado, para uma apresentação um tanto histórica no festival Vivo Open Air. Na ocasião, o NV tocou boa parte de suas versões para clássicos da bossa-nova e para hits dos anos 80, entre elas, A Forest, do Cure, e Love Will Tear Us Apart, do Joy Division, ambas com muita personalidade.
Mas dessa vez, Camille foi ainda mais longe, quando se aventurou a cantar, em sua língua, acompanhada apenas por um sampler e dois instrumentistas, Martin Gamet (que toca baixo acústico, baixo, violão e percussão) e Majiker (teclados). Essa formação, aliás, serviu de tônica para seu disco Le Fil (EMI Music) e foi utilizada em shows que rolaram recentemente no Rio (Teatro Odisséia, na Lapa), em São Paulo (SESC Pompéia) e no Recife (Abril Pro Rock).
Ainda sobre o disco, a faixa La Jeune Fille Aux Cheveux Blancs mostra realmente quem é a cantora, que se beneficia de recursos tecnológicos para reproduzir sua voz em dezenas de tons e sons percussivos. Uma verdadeira experiência musical.
No single Ta Douleur, ela mantém a linha e aposta em compassos feitos com palmas, estalos, e, claro, como de costume, vozes, muitas vozes. O mesmo acontece em Pâle Septembre, Quand Je Marche e Au Port, canções de porte semelhante. Nota 10!

Publicado originalmente no
International Magazine Ed. 123
(Julho, 2006)
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