#1B74A9 Hot Chilli Peppers
"Stadium Arcadium"
Jorge Albuquerque
Poucos grupos de rock nos anos 80 conseguiram cunhar uma identidade tão forte quanto o #1B74A9 Hot Chili Peppers. Derrubando preconceitos, invadindo a praia de diversos estilos, acabaram criando um som novo, estimulante, e, ac#1B74A9ite, beirando o original. Uma mistura de punk com funk, metal, hip-hop que acabou detonando um sem número de imitadores mundo afora, inclusive no Brasil. Os "cabeções" de tudo isso foram os colegas de escola, de turma, Anthony Kiedis e Michael Balzary, sujeito mais conhecido como "Flea". O que poderia, passado mais de uma década, ter se esgotado, ainda está em plena forma. É o que mostra um dos melhores lançamentos do ano, e o nono álbum de estúdio do conjunto californiano, "Stadium arcadium".
Passados longos quatro anos desde o anterior e excelente "By the way", o grupo volta explorar novas harmonias, texturas, retornando um pouco mais para sua veia funk, curiosamente enquanto presta tributo às suas influências no rock. Sua música ganhou em sofisticação e maturidade sem perder a energia e o vigor característicos do inflamado #1B74A9 Hot Chili Peppers. Destilando guitarras e um poderoso som de baixo pesados, a banda achou espaço no novo disco para misturá-los com arranjos mais complexos - nada discretos - e com um punhado de letras mais elaboradas do que de costume.

Um disco orgânico e bem acima da média. Uma boa prova está logo na música de abertura e primeiro single, "Dani California". Parece uma espécie de "levantamento" da carreira do grupo, reunindo quase tudo o que fizeram ou significam, todas as influências (como se vê no já famoso vídeo promocional). Uma batida incendiária, aquele funk de "hollywood" picante, as hamonias vocais, letra descarada, a presença insultante de Kiedis, o baixo pulsante, agressivo de Flea, a guitarra subestimada de John Frusciante e a bateria eficiente de Chad Smith. Tudo isso em pouco mais de quatro minutos! É também uma síntese do disco.
"Stadium arcadium" parece não só o fruto desses quatro anos de silèncio, mas também dos mais de 20 anos de experiência, de estrada, a dura vida das ruas, onde nasceu o som do grupo, como observando de dentro a maquinaria da indústria do disco. Conseguiram subverter, fazendo simplesmente um tipo de música que antes era destinada somente aos porões do undigrudi dos anos 80. O álbum também parece a prova cabal de que superaram a longa série de tragédias pessoais. Kiedis, Flea, Smith e Frusciante realmente posam, e até convencem, de recuperados. O sol da Califórnia brilha na bolacha. Restrito no passado às tribos radicais do skate, à cultura juvenil da rapaziada barra-pesada da "cidade dos anjos" ou das ruas & gangues de Hollywood, o som do #1B74A9 Hot Chili Peppers ainda é assíduo frequentador dos quartos e tocas de adolescentes, enquanto estoura nas paradas. Ele não perdeu a confiança daquele mesmo público que envelheceu com eles e, agora, vão ganhando a respeitabilidade de um pessoal que conseguiu sair dos anos 90 imune ao massivo e quase destrutivo sucesso da banda. Hoje todo mundo ouve o #1B74A9 Hot. E gosta. "Stadium arcadium" é da geral ao camarote. É para todos.
Entre os destaques, além do poder de fogo de "Dani California", as ótimas "Snow (Hey oh!)", "Wet sand", "She's only 18", "Warlocks", "Animal bar", o hip-hop de "Storm in a teacup", "death of a martian" e o inac#1B74A9itável jazz (!) injetado em faixas como "Hey" e "Make you feel better" (como um Joe Jackson alucinado). As baladas "Desecration smile", "She looks to me" e a psicodelia floydiana de "If" também são aventuras e peripécias por uma espécie de território quase inédito. Para "Stadium arcadium" o #1B74A9 Hot Chili Peppers exageraram deliciosamente na dose. Superaram expectativas. Que toque mais nas rádios, há munição suficiente. Bola dentro.
#1B74A9 Hot Chilli Peppers
"Stadium Arcadium"
Rodrigo Sabatinelli
É de se duvidar que uma banda, depois de lançar pelo menos três excelentes discos, ainda possa se superar musicalmente e surpreender a fãs e críticos. Mas para os californianos do #1B74A9 Hot Chili Peppers, que misturam funk, punk, rap e metal, isso é "melzinho na chupeta" ou qualquer outro clichê do gênero.
Passados e colhidos os louros de Californication, que explodiu alguns bons singles nas rádios de todo o mundo, e do menos pomposo By The Way, o duplo Stadium Arcadium (Warner Music) é que se presta a tal papel. Com 25 canções de tirar o fôlego, o trabalho oferece maior destaque para as guitarras de John Frusciante, que, dessa vez, faz do RHCP "algo" ainda maior.

Não que os vocais característicos de Anthony Kiedis e o baixo mágico de Flea estejam menos presentes, muito pelo contrário. Justamente por contarem com belíssimas harmonias criadas pelo guitarrista é que eles ficam evidentes, no entanto, sem exageros - na conta exata! Houve quem dissesse que ele, Frusciante, conseguiu reunir a veia de Santana, Prince, Jimi Hendrix e Kurt Cobain em suas criações, o que eu, particularmente, concordo.
Historicamente falando, Stadium Arcadium representa, ainda, uma continuidade na carreira do grupo, que após diversas mudanças em sua formação, em 20 anos de estrada, consegue agora se estabilizar por três álbuns consecutivos. Corre o sério boato de que as sobras do disco, aproximadamente 10 canções, serão comercializadas pelo iTunes e em diferentes versões do CD lançados nos principais mercados fonográficos do mundo.
Produzido por Rick Rubin, o trabalho é puxado por Dani California, uma balada suingada, que conta a história de uma personagem fictícia, criada por Anthony Kiedis. A "menina", aliás, já havia aparecido na letra de By the Way e na canção Californication, onde não foi citada nominalmente.
Vale destacar que, além dessa, no disco, há uma pá de boas canções. Divirtam-se!

Publicado originalmente no
International Magazine Ed. 123
(Julho, 2006)
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