Lançamentos
Whitesnake
"Live In The Still Of The Night"

Jorge Albuquerque

Nesses últimos dois anos, David Coverdale voltou a colocar seu Whitesnake, nova versão, na estrada. Coverdale havia jurado que a banda tinha ido para o vinagre, definitivamente, pouco antes de lançar o terceiro disco solo, "Into the light", em 2000. Como o álbum não funcionou nas paradas, rumores da volta do Whistesnake correram soltos. A banda surgiu, na verdade, na esteira dos seus dois primeiros álbuns solo, após o fim traumático do Deep Purple em 1976. No ano seguinte, misturando o rock pesado do Purple com o blues britânico e aproveitando a nova onda do heavy metal, lançou "White snake", seguido pouco depois de "Northwinds". Em 1978 decidiu batizar sua banda com nome do primeiro disco, Whitesnake, e seguiu em frente fazendo mais sucesso no resto da Europa e Japão do que propriamente na Inglaterra. Após alguns bons discos de hard blues rock, Coverdale resolveu dar uma nova direção comercial, repaginou o grupo e caiu direto no famigerado rock arena tão querido dos estadunidenses. Não podia ser melhor a hora.

O grupo soube aproveitar a efervescente cena do hard rock californiano e emplacou a balada "Is this love" no topo da parada em 1987. No mesmo ano repetiu o feito com mais uma música do álbum "Whitesnake", "Here I go again", regravação de uma de suas músicas composta cinco anos antes. Na verdade "Whitesnake" aproveitou-se de antigas composições, "atualizadas" para o paladar de outro lado do Atlântico para seu sucesso.

Funcionou. A banda vendeu horroses e foi para no primeiro lugar da Billboard. O mesmo expediente, porém, não deu certo com "Slip of the tongue", dois anos depois. Havia passado a tal hora. A onda e o espaço do conjunto (e de coisas como Poison, Mötley Crüe, Ratt, Twisted Sisters etc) agora estavam sendo achatados pela arrebentação do pessoal do "grunge". David tirou o time de campo e montou um projeto ao lado do guitarrista Jimmy Page, que surpreendentemente faliu de cara e o disco foi um retumbante fracasso em 1993. Passaram-se quatro anos, até que decidiu voltar com o Whitesnake no fraco "Restless heart" - que sequer teve lançamento doméstico nos Estados Unidos. O jeito foi apelar para o Japão e gravar lá o acústico "Starkers in Tokyo", com os sucessos e aproveitando a então febre do "unplugged". O disco vendeu bem, mas Coverdale aproveitou o novo fôlego para lançar o tal solo "Into the light", que novamente o levou ao fracasso de vendas.

Por via das dúvidas, em 2006, Coverdale evitou um disco de inéditas e optou por uma volta do Whitesnake com o tiro certo: um excelente DVD, gravado ao vivo com seus maiores sucessos. Montado num repertório poderoso e sem erros, chamou o velho camarada de bateria nos anos 80 e 90, o feroz Tommy Aldrige, mais o sensacional baixista Marco Mendoza (Ozzy Osbourne), Reb Beach (Winger, Dokken) e Doug Aldrich para as guitarras, mais o auxílio de Timothy Drury nos teclados, para despejar em pouco mais de duas horas na platéia da turnê britânica de 2004, hits como "Love ain't no stranger", "Is this love", "Here I go again", "Fool for your loving" e "Still the night", lado a lado com clássicos como "Ready an' willing" "Cryin' in the rain", "Don't break my heart again" e o hino "Ain't no love in the heart of the city", que levo público ao delírio. Apesar dos mais de 50 anos, Coverdale chama para si a responsabilidade e carrega o show nas costas. Aldrige também está em boa forma, mas a nova dupla de guitarristas, apesar de competente, tenta em vão repetir as notas da formação original, com Bernie Marsden e Micky Moody, principalmente nas passagens mais blues.

"Live - In the still of the night" (Sum) abre com um dos maiores sucessos do Deep Purple, "Burn", para o delírio inicial, sem deixar a bola cair até o final com "Still in the night", com a platéia inteira no bolso de David Coverdale. Mesmo sem o brilho dos seus melhores momentos, no final dos anos 70 e no comecinho dos de 1980, David ainda é um dos mais carismáticos cantores da história do rock e faz valer cada minuto do DVD. A edição nacional repete a original, é um luxo e com excelente qualidade sonora (inclusive 5.1 DTS) e de imagem, acompanhada de um livreto ilustrado de 16 páginas. Como virou hábito, o DVD ainda traz como bônus um CD de áudio com o show. Vamos esperar agora o próximo passo de Coverdale. Long live the Snake!


Publicado originalmente no
International Magazine Ed. 125
(Setembro, 2006)


Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, Love, Led Zeppelin, Queen, Monkees, Los hermanos, Mutantes, Syd Barrett, Roger Waters, John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr, George Harrison, Mark, Dire Straits, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Iron Maiden, Roberto Carlos, Jovem Guarda, Erasmo Carlos, Seeds, Standels, Blues Magoos, Beach Boys, Doors, Jim Morrison, Andy Warhol, Velvet Underground, Lou Reed, Nico, mc5, Mamas & Papas, Black Sabbath, Oasis, Belle and Sebastian, Legião Urbana, Renato Russo, Capital Inicial, Replicantes, Punk, Heavy Metal, Rock, Fugazi, Inocentes, Garotos Podres, Ratos de Porão, Sepultura, Soulfly, Aerosmith, Beck, Jeff Beck, David Bowie, Iggy Pop, The Stooges, New York Dolls, Yellowcard, Frank Zappa, Secos & Molhados