Lançamentos
Gary Moore
Old New Ballads Blues

Jorge Albuquerque

O guitarrista irlandês Gary Moore ficou conhecido primeiramente como um dos homens da guitarra, entre os vários que passaram, do conjunto Thin Lizzy. Os mais atentos ainda reconhecem em Moore um dos guitarrista mais talentosos do história do rock, porém errante, um sentimental toda vida, de técnica esmerada, espalhado nas fichas técnicas de diversos álbuns pop, de Ozzy Osbourne à Madonna, de Greg Lake ao Traveling Wilburys, dos Beach Boys à Andrew Lloyd Webber. Gary Moore é dessa maneira um dos mais subestimados guitarristas e compositores do rock. Há quem ainda se recorda do nome como aquele que embalou as FMs com a balada exuberante "Still got the blues". Esse momento de rápido sucesso popular, finalmente, o arrancou de décadas de suor, espeluncas e cerveja. O tempo de coadjuvante terminou. Daí em diante, Moore passou a compor e gravar somente o que bem entendia.

Amante dedicado à sua conhecida paixão desenfreada pelo blues, o exímio guitarrista e (bom) cantor Gary Moore praticamente deixou de lado o rock ("Scars" de 2002) e as experiências (os eletrônicos "Dark days in paradise" de 1997 e "Different beat" de 99) por um quase blues elétrico tradicional em trabalhos como "Blues for Greeny" (1995), "Back to the blues" (2001) e no ótimo "Power of the blues" (2004). Não foi surpresa que o disco de estréia por sua nova gravadora (a Eagle Records, representada no Brasil pela ST2) fosse um outro disco do gênero: "Old new ballads blues". Para retorno desse guitarrista de Belfast, o disco faz ao mesmo tempo a obrigatória releitura de clássicos de Elmore James ("Done something wrong"), Willie Dixon ("You know my love) e Otis Rush ("All your love") e abre o espaço para o próprio blues de Gary aparecer em cinco canções originais, entre baladas e faixas mais elétricas onde desfila sua habilidade nas seis cordas.

"Old new ballads blues", apesar do peso das regravações, é bom mesmo pelo repertório original de Moore. Como compositor e guitarrista ele está hoje na frente de gente como Eric Clapton, Mark Knopfler (cada vez mais country), David Gilmour, etc, e insuperável em sentimento. Performances inspiradas (tanto na guitarra como na voz) são a tônica do novo disco, desfilando pela a atmosfera densa e delicada das próprias canções ("Gonna rain today", "No reason to cry" e na regravação do seu sucesso "Midnight blues") e fazendo "chorar" sua Les Paul. A instrumental "Cut it out" é um caso a parte, e faz lembrar um pouco aquela sua áurea fase jazz rock nos anos 70. Essa guitarra musculosa e ao mesmo tempo sensível de Moore é seu grande trunfo. Faça um favor a si próprio e procure escutar esse disco.


Publicado originalmente no
International Magazine Ed. 123
(Julho, 2006)


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