Three Days Grace
"One-X"
J. M. Santiago
Os rapazes canadenses do Three Days Grace estão nessa onda do "emo", um rótulo-troço criado pelas gravadoras para separar uma fatia da garotada que saqueia os bolsos dos pais e gasta a mesada numa chorumela de letras sobre fim de relacionamento, conflitos em casa, dor, futuro sombrio etc e tal, tudo embalado por uma mistura de metal com punk bem acessível. Formado por Adam Gontier nos vocais e guitarra, Brad Walst no baixo e Neil Sanderson na bateria, eles estão juntos desde 1992, quando a banda era um quinteto de punk com o nome de Groundswell. Em 97 se firmaram como um trio e, após descolarem um contrato de gravação, conseguiram emplacar o EP "(I hate) Everything about you". O disco homônimo de estréia, lançado em 2003, foi um imediato sucesso, e a banda caiu na estrada promovendo freneticamente o trabalho. Boa parte das novas experiências acabou vindo parar nas letras do novo álbum, "One-X", lançado lá fora faz uns dois meses. Enquanto o grupo está novamente em turnê (com o Staind, Hoobastank e Nickelback), o seu novo CD acaba de chegar ao Brasil.
"One-X" continua com o "alt-metal" torturado, dolorido, atormentado, cheio de tristeza, aquela coisa, de sempre. Parece um segundo capítulo do primeiro disco, com as letras o seguindo tematicamente (isolamento, solidão, relações tumultuosas), enquanto que a música está um pouco mais pesada, ganchuda e até interessante. Faixas como a abertura com "Pain", "Let it die", "Riot" e, principalmente, dobradinha com "Animal I have become" e "Get out alive", duas das melhores músicas do repertório, são um bom exemplo do tal novo heavy rock sentimental que assola as paradas dos Estados Unidos. E nesse quesito, o Three Days Grace se apresenta acima da média.
Produzido por Howard Benson, que também toca teclados e é o responsável pela programação e a idéia de colocar cordas em algumas músicas, "One-X" apresenta uma boa munição para as rádios (potencialmente "Get out alive"), com um som encorpado que pelo menos empolga na base de um rock'n'roll sério e bem tocado, apesar do bode geral das letras, e promete ser o refúgio por excelência para a moçada que consome avidamente esse tipo de produto.

Publicado originalmente no
International Magazine Ed. 125
(Julho, 2006)
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